O BICHO - COMO TUDO COMEÇOU...
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 3 de julho de 1892. Nesse domingo de inverno carioca foram inaugurados vários divertimentos na empresa do Jardim Zoológico, de propriedade do sr. João Baptista de Viana Drummond, o barão de Drummond. O parque estava localizado no pitoresco bairro de Vila Isabel, na encosta da serra do Engenho Novo. Por ser um dia especial, a Companhia de Ferro Carril Vila Isabel dispôs carros especiais para levar o público e os convidados até as dependências do zoo.
Esbanjando a cordialidade de um nobre, associando-a aos interesses de um empresário, o barão recebeu seus ilustres convidados, entre os quais o vice-presidente da República, cuja presença foi saudada por todos com um brinde à mesa do jantar. No agradável passeio, tendo em vista o clima ameno e a satisfação de todos, o barão e seu gerente Manoel Zevada lhes apresentaram as dependências do Jardim. Além das jaulas, gaiolas e viveiros presentes em qualquer empreendimento desse porte, a empresa de Drummond contava com um hotel nas melhores condições, um magnífico restaurante e tinha em construção um grande salão especial para concertos.
Os visitantes ainda poderiam passar seu tempo divertindo-se em animados bailes públicos, no circo de cavalinhos, em variados espetáculos ou fazendo apostas em alguns jogos liberados para aquelas dependências. Havia bilhar, carteado, jogo da pelota, frontão e outros. No entanto esse domingo era especial, já que um novo divertimento estava para ser inaugurado.
Ao comprar o ingresso de entrada para o Jardim Zoológico, o visitante passaria a receber um ticket. No bilhete estaria impressa a figura de um animal. Pendurada num poste a cerca de três metros de altura, próxima ao portão de entrada do parque, havia uma caixa de madeira. Dentro dessa caixa ficava escondida a gravura de um animal, escolhida pelo barão em uma lista de 25 bichos que ia de avestruz a vaca, passando por borboleta e jacaré. Nesse domingo, às 5:00 da tarde, a caixa seria aberta pela primeira vez, e o público presente poderia, afinal, descobrir o animal "encaixotado" e saber se teria direito ao prometido prêmio de 20$000 [20.000 réis], 20 vezes o valor gasto com a entrada para o zoo. Na hora marcada, o barão dirigiu-se até o poste, revelou o avestruz e fez a alegria de 23 sortudos visitantes.
Assim, estava aberto o caminho para a criação do jogo do bicho.
Pela repercussão na imprensa diária, nota-se que a inauguração não passou despercebida. Vários periódicos deram a notícia, informando, inclusive, o animal que havia "vencido o primeiro sorteio". Jornal do Brasil, Jornal do Commercio, O Paiz, Diário do Commercio, Diário de Notícias, Gazeta de Notícias e O Tempo foram alguns dos jornais que deram informações sobre os acontecimentos do Jardim Zoológico. Pela documentação recolhida, rapidamente o zoo transformou-se num espaço bastante procurado para o lazer. Isso pode ser observado pelos prêmios pagos. Se no primeiro dia o avestruz pagou 460$000 de prêmios, duas semanas depois o cachorro pagaria 2:080$000, fazendo felizes mais de cem apostadores.
Para incrementar os lucros obtidos com o sorteio dos bichos, a direção do Jardim Zoológico resolveu vender os tickets para o parque fora dos muros do estabelecimento. Em O Tempo, poucos dias depois da inauguração dos jogos, veio publicado o seguinte anúncio: "Jardim Zoológico - Prêmios diários sobre animais de 20$ a 40.000$ - Venda das entradas na rua do Ouvidor nº 129 e no Jardim".
Dessa forma, com apoio da própria empresa responsável pela loteria dos animais, o jogo passou a ser vendido fora das dependências do parque. Ora, se para comprar o bilhete que dava direito ao prêmio não era preciso atravessar os portões de entrada do empreendimento, pode-se supor que vários apostadores compravam seus tickets e ficavam à espera da abertura da caixa do zoo. Após a transmissão da notícia, os ganhadores poderiam ir buscar seu prêmio de 20$000. No próprio bilhete havia uma inscrição que facilitava essa prática: "VÁLIDO POR 4 DIAS". Assim, o apostador não precisava entrar no parque, muito menos estar lá no momento da revelação do bicho.
Mas todo esse clima de festa em torno do jardim e de suas diversões não demoraria muito a findar. Rapidamente, o que antes era saudado como um "estabelecimento útil e agradável" passou a ser visto como um "antro de jogatina".
Isto é um trecho do livro "Ganhou, Leva! O Jogo do Bicho no Rio de Janeiro (1890-1960)" de Filipe Magalhães, disponível para leitura online AQUI.
[Hoje, a hostilidade ao jogo do bicho (por parte da legislação brasileira) permanece, mas o bicho não apenas está mais forte e querido, como está espalhado por todas as regiões do Brasil, de maneira tal que o jogo está definitivamente entrincheirado na cultura popular. É bem mais fácil legalizar o bicho do que continuar a combatê-lo. Lutar contra o que está firmemente estabelecido só ajuda no fortalecimento dessa prática!]
Nascido em 1980 no estado de Pernambuco, estou desde fevereiro de 2018 no mundo dos jogos, mais especificamente no jogo do bicho. Ao mesmo tempo eterno aprendiz sobre o assunto, faço questão de compartilhar meu conhecimento neste blog e em meu canal no You Tube.
Também me disponibilizei para intermediar apostas para pessoas de outros estados que queiram jogar nas bancas de meu estado, Pernambuco, uma vez que a cotação daqui é uma das mais altas do país. Confira a cotação média (baseada em apostas feitas a R$ 1,00):
Cotação média do jogo do bicho em Pernambuco (baseada em apostas feitas a R$ 1,00):
Milhar: R$ 9.000,00
Centena: R$ 900,00
Dezena: R$ 90,00
Duque de dezena: R$ 300,00
Terno de dezena: R$ 15.000,00
Grupo: R$ 22,00
Duque de grupo: R$ 200,00
Terno de grupo: R$ 1.500,00
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